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14 de setembro: uma data para pensar em como as mulheres são retratadas na mídia

há 2 horas
3 min de leitura

Criado a partir da história do programa Viva Maria, o Dia Latino-Americano e Caribenho da Imagem da Mulher nos Meios de Comunicação também abre espaço para uma conversa que faz sentido dentro do sertanejo.


Maiara & Maraisa, Simone Mendes, Ana Castela, Lauana Prado e Roberta Miranda juntas
Foto: Reprodução

Todo dia tem uma história por trás. No caso de 14 de setembro, ela começa no rádio.


Foi nessa data, em 1981, que entrou no ar o Viva Maria, programa da Rádio Nacional apresentado e produzido pela jornalista Mara Régia. A atração nasceu em um período de reabertura política no Brasil e se tornou um espaço dedicado à informação e aos direitos das mulheres.


O debate sobre mulheres na mídia vai muito além da presença feminina diante das câmeras. Ele envolve a forma como histórias são contadas, quais vozes ganham espaço e como diferentes trajetórias femininas são apresentadas ao público.


Anos depois, em 2016, a data também esteve ligada à criação da Rede de Jornalistas com Visão de Gênero nas Américas, em Buenos Aires. A ideia segue atual: olhar para a presença das mulheres na comunicação e para o espaço que elas ocupam nas histórias que chegam ao público.


E é aí que 14 de setembro encontra o sertanejo.


E quando a conversa chega ao sertanejo?


Quem acompanha o gênero sabe que as mulheres sempre fizeram parte dessa história. Cantoras, compositoras, instrumentistas, apresentadoras, empresárias e profissionais que trabalham nos bastidores ajudam a construir diariamente o que o público conhece como música sertaneja.


  • Simone Mendes durante apresentação de música sertaneja
  • Marília Mendonça durante apresentação de música sertaneja

Fotos: Reprodução


Mas existe uma diferença entre estar presente e ter sua história contada de maneira justa.


No entretenimento, a imagem de uma artista pode ganhar tanto destaque quanto a própria música. Uma roupa, um relacionamento, uma separação, uma mudança no corpo ou um comentário nas redes sociais podem virar notícia rapidamente. Ao mesmo tempo, existe todo um trabalho artístico acontecendo: lançamento de música, gravação, show, composição, ensaio, projeto novo, escolha de repertório e decisões de carreira.


É justamente nessa diferença que a cobertura jornalística precisa prestar atenção.


Isso não significa ignorar assuntos pessoais quando eles são realmente relevantes. Também não significa transformar toda notícia sobre uma mulher em uma discussão sobre machismo. O ponto é outro: qual história estamos escolhendo contar quando falamos de uma artista?


No sertanejo, essa pergunta pode ser feita muitas vezes.


Uma cantora pode ser notícia porque lançou uma música. Pode ser notícia porque escreveu uma canção, lotou uma apresentação, anunciou um projeto, participou de um programa de televisão ou tomou uma decisão importante sobre a própria carreira.


Fotos: Reprodução


E também pode ser notícia por algo que aconteceu na vida pessoal. As duas coisas podem coexistir. O cuidado está em não deixar que a vida particular vire sempre a principal lente pela qual aquela artista é apresentada.


O olhar do Girl Sertanejo


Para o Girl Sertanejo, essa discussão conversa diretamente com a forma como escolhemos fazer jornalismo sobre música sertaneja.


Nosso trabalho é acompanhar o que acontece no gênero, mas também prestar atenção em como essas histórias são contadas. Quando uma pauta envolve uma mulher, existe uma responsabilidade ainda maior de não reduzir a artista a um estereótipo ou a um assunto que não representa o conjunto da sua trajetória.


Isso vale para uma cantora já conhecida pelo público e também para aquela artista que ainda está tentando conquistar seu espaço.


A pergunta deixada por 14 de setembro é simples, mas não tem uma resposta pronta: quando falamos sobre as mulheres do sertanejo, estamos contando a história delas ou apenas aquilo que chama mais atenção sobre elas?


Talvez seja uma boa pergunta para levar para cada matéria, cada manchete e cada publicação.


Porque, no fim das contas, a imprensa também ajuda a construir a memória de uma cena musical. E as mulheres do sertanejo fazem parte dessa história.


Fotos: Reprodução




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