10 anos atrás: como o sertanejo de 2016 mudou tudo o que ouvimos hoje
- Duda Almeida

- 17 de jan.
- 2 min de leitura
Em meio à trend de relembrar o passado, 2016 aparece como um verdadeiro divisor de águas para o sertanejo, especialmente para as mulheres.

Se hoje, em 2026, o sertanejo ocupa todos os espaços possíveis, muito disso começou a se desenhar há exatamente 10 anos. O ano de 2016 marcou a explosão definitiva do gênero nas rádios, nas plataformas digitais e, principalmente, o início de uma nova era liderada por vozes femininas.
Foi o ano em que o sertanejo deixou de ser apenas trilha sonora de festa para virar também desabafo, dor, revanche e identificação.
2016: o nascimento do feminejo
Foi em 2016 que o termo feminejo ganhou força e passou a definir um movimento que mudou o jogo. As mulheres deixaram de ser exceção e passaram a ocupar o centro do palco, cantando suas próprias histórias, mágoas e verdades.
Marília Mendonça surgiu como um fenômeno nacional com “Infiel” e rapidamente se tornou a Rainha da Sofrência.
Maiara & Maraisa dominaram o país com “10%” e “Medo Bobo”.
Naiara Azevedo viralizou com “50 Reais”, um verdadeiro hino de vingança feminina.
Simone & Simaria levaram multidões a cantar “Meu Violão e o Nosso Cachorro”, consolidando o sucesso das Coleguinhas.
Foi o momento em que as mulheres “chutaram a porta” de um gênero historicamente masculino e nunca mais saíram de cena.
A era da sofrência e do modão
Diferente do sertanejo universitário mais festivo de anos anteriores, 2016 foi o ano da dor de cotovelo sem filtro. Letras sobre término, traição, saudade e álcool dominaram o rádio.
Ao mesmo tempo, o sertanejo raiz seguiu vivo. Duplas como Zezé Di Camargo & Luciano e Bruno & Marrone lançaram o projeto “Clássicos”, conectando gerações e mantendo o modão firme no coração do público.
Os hits que não saíam do rádio
Em 2016, era praticamente impossível ligar o rádio e não ouvir sertanejo. O gênero ocupava quase todo o Top 10 das rádios brasileiras, com músicas que viraram trilha sonora de uma geração:
“Sosseguei” – Jorge & Mateus
“Seu Polícia” – Zé Neto & Cristiano
“O Nosso Santo Bateu” – Matheus & Kauan
“Cadeira de Aço” – Zé Neto & Cristiano
Eram músicas que tocavam no carro, no bar, no fone de ouvido — e que até hoje despertam memória afetiva.
Luan Santana e Gusttavo Lima em fase de virada
2016 também marcou uma mudança importante de identidade em grandes nomes do gênero.
Luan Santana lançou o álbum 1977, um projeto sensível, em homenagem às mulheres, com participações de nomes como Ana Carolina e Ivete Sangalo.
Gusttavo Lima consolidava sua transição artística com o projeto 50/50, equilibrando o romantismo com a fase mais festiva.
Esses movimentos ajudaram a moldar o sertanejo que dominaria os anos seguintes.
Em resumo…
Se você ligasse o rádio em 2016, as chances eram grandes de ouvir:
alguém sofrendo em um bar,
cantando sobre amor mal resolvido,
e, muito provavelmente, com a voz de uma mulher.
Dez anos depois, dá pra afirmar: 2016 não foi só um ano bom para o sertanejo — foi o ano que redefiniu o gênero.
E talvez seja por isso que, em 2026, a nostalgia bate tão forte. Porque muita coisa do que somos hoje começou ali. 🩷



.png)



Comentários