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10 anos atrás: como o sertanejo de 2016 mudou tudo o que ouvimos hoje

Em meio à trend de relembrar o passado, 2016 aparece como um verdadeiro divisor de águas para o sertanejo, especialmente para as mulheres.


Marília Mendonça e Maiara e Maraisa em 2016
Reprodução: Internet

Se hoje, em 2026, o sertanejo ocupa todos os espaços possíveis, muito disso começou a se desenhar há exatamente 10 anos. O ano de 2016 marcou a explosão definitiva do gênero nas rádios, nas plataformas digitais e, principalmente, o início de uma nova era liderada por vozes femininas.


Foi o ano em que o sertanejo deixou de ser apenas trilha sonora de festa para virar também desabafo, dor, revanche e identificação.


2016: o nascimento do feminejo


Foi em 2016 que o termo feminejo ganhou força e passou a definir um movimento que mudou o jogo. As mulheres deixaram de ser exceção e passaram a ocupar o centro do palco, cantando suas próprias histórias, mágoas e verdades.


  • Marília Mendonça surgiu como um fenômeno nacional com “Infiel” e rapidamente se tornou a Rainha da Sofrência.

  • Maiara & Maraisa dominaram o país com “10%” e “Medo Bobo”.

  • Naiara Azevedo viralizou com “50 Reais”, um verdadeiro hino de vingança feminina.

  • Simone & Simaria levaram multidões a cantar “Meu Violão e o Nosso Cachorro”, consolidando o sucesso das Coleguinhas.


Foi o momento em que as mulheres “chutaram a porta” de um gênero historicamente masculino e nunca mais saíram de cena.


A era da sofrência e do modão

Diferente do sertanejo universitário mais festivo de anos anteriores, 2016 foi o ano da dor de cotovelo sem filtro. Letras sobre término, traição, saudade e álcool dominaram o rádio.

Ao mesmo tempo, o sertanejo raiz seguiu vivo. Duplas como Zezé Di Camargo & Luciano e Bruno & Marrone lançaram o projeto “Clássicos”, conectando gerações e mantendo o modão firme no coração do público.


Os hits que não saíam do rádio

Em 2016, era praticamente impossível ligar o rádio e não ouvir sertanejo. O gênero ocupava quase todo o Top 10 das rádios brasileiras, com músicas que viraram trilha sonora de uma geração:


  • “Sosseguei” – Jorge & Mateus

  • “Seu Polícia” – Zé Neto & Cristiano

  • “O Nosso Santo Bateu” – Matheus & Kauan

  • “Cadeira de Aço” – Zé Neto & Cristiano


Eram músicas que tocavam no carro, no bar, no fone de ouvido — e que até hoje despertam memória afetiva.


Luan Santana e Gusttavo Lima em fase de virada

2016 também marcou uma mudança importante de identidade em grandes nomes do gênero.


  • Luan Santana lançou o álbum 1977, um projeto sensível, em homenagem às mulheres, com participações de nomes como Ana Carolina e Ivete Sangalo.

  • Gusttavo Lima consolidava sua transição artística com o projeto 50/50, equilibrando o romantismo com a fase mais festiva.

Esses movimentos ajudaram a moldar o sertanejo que dominaria os anos seguintes.


Em resumo…

Se você ligasse o rádio em 2016, as chances eram grandes de ouvir:

  • alguém sofrendo em um bar,

  • cantando sobre amor mal resolvido,

  • e, muito provavelmente, com a voz de uma mulher.


Dez anos depois, dá pra afirmar: 2016 não foi só um ano bom para o sertanejo — foi o ano que redefiniu o gênero.


E talvez seja por isso que, em 2026, a nostalgia bate tão forte. Porque muita coisa do que somos hoje começou ali. 🩷

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